domingo, 5 de janeiro de 2014







Tudo começou no final de Agosto princípio de Setembro…

Eu era o rapaz da piscina, ela era uma menina de cabelo cenoura, de férias, no Algarve…

Nos conhecemos de forma particular, ela convidou-me para bebermos um copo no final da tarde…eu fiquei gago e abanei a cabeça, sempre tive medo das mulheres e então naquela altura, tremia que nem varas verdes quando me olhavam…

Assim foi, fomos beber um copo, ou melhor cinco, dez, só sei, que depois, fomos para a praia do olhos de água molhar os pés …
No outro dia, ela veio ter comigo, disse que tinha gostado e queria ver a praia de dia … foi nesse local, que nasceu o primeiro beijo e uma cordilheira de vulcões dentro do peito …

Naquela tarde … tudo mudou em nós… o pior, é que ela ia voltar para Irlanda no dia a seguir…
Nessa noite falamos, abraçamos a alma de cada um, até chegar ao ponto de ebulição, foi nesse momento, que ela chorando, me disse – não sou igual às outras, ainda sou virgem, quero fazer amor contigo mas não assim … eu abracei-a e lhe disse que também era …

Afinal éramos virgens do signo caranguejo … emocionalmente ricos, as lágrimas comprovaram isso durante todo tempo…

Na manhã seguinte, apanhou o autocarro até ao aeroporto, deixando a sua morada num papel, pedindo que lhe escrevesse … quando autocarro partiu, meu existir se partiu, as lágrimas entupiram no meio de soluços e imitei na perfeição, o céu de inverno repleto de nuvens gordas …

Meu Deus, se lhe escrevi, dia sim, dia não, sempre lhe mandava uma carta com o meu inglês alentejano romeno… e junto uma lembrança do coração…

Todos os dias ia ver a caixa do correio, se tinha correspondência, com entusiasmo e saudade, até que começamos-nos a telefonar … ela contou aos pais, religiosos e conservadores …  

Ao princípio, ficaram reticentes, mas não podiam ver a filha, a chorar, a amar, numa tristeza imensa …

Até que, um mês depois, me convidaram para passar o natal com eles …

Era a primeira vez que iria pássaro natal, longe dos meus pais e do meu irmão …

Mas foi o que aconteceu …

Durante três anos, centenas de cartas, uma dezena de viagens, muitas lágrimas, e sorrisos …saudades avulso, promessas de uma vida a dois… um amor que galgou as fronteiras…
Até que, na sua ultima vinda a Portugal, nas férias grandes de Agosto, resolveu explicar o que iríamos fazer …
Tínhamos decidido, que não iria-mos usar nenhum meio contraceptivo e se Deus quisesse, ela ficaria grávida e assim seria mais fácil ficarmos juntos para sempre e não teria de ir para a universidade em Dublin…
A verdade é que Deus não quis, ela não engravidou e foi se formar… ser arqueóloga, um sonho desde pequenina …
 Ainda resisti no sonho, no entanto a saudade não. Um dia, quando já não tinha chão e o céu me caia como inferno; resolvi rumar até a Irlanda para morar lá, com a esperança de a encontrar, uma tentativa desajeitada de não perder o seu amor, que se tinha tornado a única coisa importante no mundo… Acabei por a encontrar, mas a sua decisão já estava tomada… Seriam três anos de estudo e de concertação e nenhum amor poderia resistir …era demasiado desgastante, emocionalmente e financeiramente…

Voltei com as lágrimas pesadas, um abismo profundamente cheio, lembro -me estar no aeroporto tendo o corpo e a roupa encharcada de tanto chorar …
Assim acabou uma história de amor …o primeiro amor, descontrolado, autentico, sincero, inconsciente, repleto de ilusão, inquieto, trazendo a frescura do incerto, as mãos suadas em cada encontro, enfim, a intensidade imensurável de cada instante de afecto….


Espero que ela se tenha formado e que hoje, seja muito feliz; tendo uma família, um marido que ame tanto quanto a amei, que tenha filhos lindos … e se alguma vez se lembrar de mim, que seja com um sorriso…


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