terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Caminha(dor)

 







falta menos caminho

para o fim

do que regressar

ao início

 

quando assim é

só nos apetece

 ir de bicicleta

e não a pé

 

acabar com o martírio

de andar

sobre os espinhos em brasa

 

quero chegar a casa

e estar

com aqueles

que já chegaram

antes da hora

 

nestas andanças trilhadas

andeiros como eu

gostam de fazer balanços,

recordar feitos distintos

façanhas incomparáveis da alma

 

pouco tenho a dizer

do passado

para lá dos passos

gastos

 

nunca fui um grande amor

para ninguém

e os amores que tive

já se esqueceram de mim

de tão ruim

que foi

o afeto

aquinhoado

nos seus íntimos

 

o amor que dei

não tatua o tutano

de um único âmago

 

não semeou

um único coração

com pungentes

sentimentos

 

fui aquela água

que não matou a sede

não refrescou a carne

secou a floresta

ainda semente

 

por isso

olhar para trás é pecado

resta

continuar

a pisar o pisado

seguir o rasto

daqueles que passaram

 

afinal

o maior perigo

do caminho

é ficar parado

e recordar

sozinho

os passos

por dar




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