segunda-feira, 4 de novembro de 2024

As nossas distâncias têm o gosto das ondas e das folhas

 



descalços,

os olhos

chegavam

para

te olhar

de perto

neste

lado

salgado

do tejo.

 

chegavam

para mirar

os teus dedos

como ramos,

agarrando

o vento

e os sonhos.

 

chegavam

para escutar

as letras

soadas

pelos teus doces lábios,

antes de serem

palavras

largadas

como buquês

no espaço

trancado

entre os nossos

braços.

 

enfim,

nesse tempo,

era noivo dos teus poemas

antes de saber ler

a verdade dos teus olhos

desenrolados.

 

hoje,

sou analfabeto do que te escrevo,

procurando o acerto do que não vejo,

o lugar certo do teu peito.


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