quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Afirmação do coração

 





os dedos, por fortalecer,

com as palavras e os sentimentos,

e não com as frias reguadas.

 

aquele menino poeta,

faz batalhas de rimas

no roblox,

e nos silêncios

resguardados dos nossos.

 

prometeu a si mesmo

que as lágrimas

não se mostram

quando os cantos se olham.

 

mas às vezes,

o peito é demasiado pequeno

para conter um sentimento oceânico.

 

assim foi,

no outro dia,

quando um gesto maternal

ficou preso no estendal dos braços

e a maré rompeu os olhos.

 

assim foi

no outro dia,

quando

se lembrou do pai natal

que trazia as chaves do carro do pai

e lhe dizia que o amava muito

antes de sair.

 

Mudando de assunto no mesmo assunto…


Esta história começou num lugar fronteiriço e do vagar ponderado, onde duas crianças, com laços de sangue, brincavam com a natureza e as suas mãos. A pobreza, não trazia os brinquedos estrangeiros que gostavam. Brincavam com as pedras, faziam pequenas barragens para conter a água, travessas para as formigas, balizas para sinalizar a entrada da bola, feita de cuecas e trapos.

 

Um dia, encontraram um pardal caído do ninho. Apressados, construíram uma espécie de casa com as pedras, para ele não fugir, e foram chamar o avô. Quando chegaram, o pardal já lá não estava. Um dos irmãos guardou uma dessas pedras.

 

Trinta anos se passaram até que esse irmão teve um acidente e partiu. O outro irmão foi recolher algumas coisas que ele tinha deixado e, no meio dessas recordações, estava aquela pedra velhinha, mas tão viva naquele momento. Acabou por guardá-la junto à imagem de Nossa Senhora.

 

Uns anos mais tarde, regressado do trabalho, não encontrou aquela pedra e ficou furioso. Tinha sido seu filho, de cinco anos, que a tinha perdido ao brincar com ela.

 

Uns dias mais tarde, regressado do trabalho, encontrou seu filho com os olhos entornados e uma dezena de pedras em cima da mesa... tinha ido ao campo procurar as pedras mais bonitas para lhe entregar…

 

Esse menino é o meu filho que deu umas das lições mais importantes e mais bonitas ao seu pai.




domingo, 15 de dezembro de 2024

Em ponto morto, no desconforto de um abrigo sem porto

 


rasgos…

 

bocados…

 

verdes crostas,

babando gotas.

 

teimosas feridas,

cada vez mais gordas.

 

já fui

ao doutor da alma.

receitou-me um remédio chamado tempo

 para tomar

durante dois anos.

já passaram tantos,

 mais que os dedos da mão.

 

o coração está um caco.

range por todo o lado.

já não passa na próxima inspeção.

 

o peito tem um problema de rolamentos,

não deixam rolar os sentimentos.


já para não falar

dos travões da saudade,

sempre a travar a vontade

de não seguir em contramão.

 

quanto às mudanças,

precisam de mudanças.

só a marcha atrás

funcionam bem.

só falta os espelhos retrovisores

ou os sensores de aproximação

para te chegar.