domingo, 15 de dezembro de 2024

Em ponto morto, no desconforto de um abrigo sem porto

 


rasgos…

 

bocados…

 

verdes crostas,

babando gotas.

 

teimosas feridas,

cada vez mais gordas.

 

já fui

ao doutor da alma.

receitou-me um remédio chamado tempo

 para tomar

durante dois anos.

já passaram tantos,

 mais que os dedos da mão.

 

o coração está um caco.

range por todo o lado.

já não passa na próxima inspeção.

 

o peito tem um problema de rolamentos,

não deixam rolar os sentimentos.


já para não falar

dos travões da saudade,

sempre a travar a vontade

de não seguir em contramão.

 

quanto às mudanças,

precisam de mudanças.

só a marcha atrás

funcionam bem.

só falta os espelhos retrovisores

ou os sensores de aproximação

para te chegar.


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