quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Chega… Chega a tua agulha, que balão sou

 






o teclado,

musicando

a mágoa.

 

a cara

invernando

a chuva.

 

o peito

soluçando

a amargura.

 

virtualmente

acenando

o "até já".

 

separadamente,

juntos,

nesta encruzilhada

de circuitos e de estradas.

 

aqui sou príncipe,

 lá,

 debaixo do céu cru,

sou um bengalês

disfarçado de português.

 

seria mais que uma Ventura

 amarmo-nos

longe das páginas,

nas despidas ruas.


domingo, 19 de outubro de 2025

Inefável suspiro

 



Desfraldado o silêncio,

como um suspiro

derramável

de um peito

volumosamente

  cheio.

 

Aquele suspiro,

filho do grito,

abandonado antes de ser criança,

antes das alianças,

dos sonhos

[inseparados].

 

Um gemido

no cochicho

de um lamento,

entre o ruido

e o anélito sopro   

caído

com o tombo

 das lágrimas.

 

Desconhecido dos demais.

 

O suspiro quase inaudível,

menos

que um espirro,

que um grito,

mas dono

de ecos

imortais.

 

Enfim,

um suspiro

com nome

de estrela,

de alma,

 de vontade,

 de sonho,

de estrada

 

para brilhar,

viver,

 crescer,

edificar

 e não parar


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Memórias salgadas entre o voo e o som

 






Existem lugares,

Aprumados

 Pelas controvérsias

Do incomum.

 

É o caso da Praia da Coelha,

Onde uma orquestra matinal se compõe

Pelo coro das gaivotas, militares,

E os convidados especiais:

A rola e o galo.

Acompanhados pelo som baixo

Do desembarque das ondas

E do vento bailado

Das rochas

E dos barcos.

 

Faltam os pescadores de outrora.

Alguns tornaram-se guias turísticos,

Outros, rústicos,

 Apartados do salgado lago.

Mesmo assim,

Todos envelheceram

Com as memórias frescas

 Da areia cheia,

Sem corpos…


sábado, 9 de agosto de 2025

O Itinerário Iluminado da Gentileza

 



A gentileza,

não se comemora devidamente,

quando alguém oferece um sorriso

em forma de estrela

e nos guia para um caminho

menos ermo,

mais bonito.

 

Talvez,

nos estorvilhos dos trilhos,

[para lá das pontes],

devêssemos plantar flores

e sinais de bondade

e um asfalto

feito de verdades menos azedas,

por mais longo que seja

 o trajeto dos sonhos

e das desesperanças…

 

Afinal,

 os passos,

são mais felizes

sem olhar os pés 

estrangeiros.

 

Afinal,

todos

merecemos

um final,

que valeu apena

o começo.







domingo, 27 de julho de 2025

Todas as flores riram do girassol e do seu amor pelo sol

 







aquela planta,

todas as manhãs,

acordava com os cabelos raiados,

graças ao seu amado,

e seguia-o até o azul

se tornar salpicos

sobre os telhados.

 

o pobre girassol

dizia que era um sortudo

por amar algo

maior que o mundo.

 

as outras flores

alertavam para a futura amargura

daquele delírio platónico,

onde uma flor

amava um astro.

 

aquele girassol,

apesar de nunca ter beijado o sol ou abraçado,

graças àquele amor incondicional,

tornou-se o girassol mais gracioso e bonito

de todo o prado.

 

o amor,

mesmo distante,

cria raízes invisíveis,

e o sustento das mesmas.

foi o que aconteceu:

a sua estrela deu-lhe

o que mais precisava

para ser saudável.

 

os dois

conseguiram salvar o sonho,

mesmo quando a tristeza da noite

chegava

com as malas

para uma estadia

de mil horas

marcadas.


domingo, 6 de julho de 2025

Bibliotecário de um só livro que nunca foi lido, mas mudou tudo

 




amontoei

sons audíveis

no infinito

e silenciei-os

dentro

de um livro,

amarrados

às palavras

que te chamam

em voz alta.

 

um livro

nunca lido,

guardado

na estante

do íntimo.

 

um livro

cheio

de gritos,

chamando

o teu nome

depois

de um

"amo-te".

 

o livro

intitulado

Fernanda,

com o fim

rasurado

pela

esperança.


segunda-feira, 9 de junho de 2025

Sem nunca dizer amor

 





trazes na garganta

a capacidade intemporal

de acordar

o ruído das vontades.

 

bastas deixar

o vento

enlaçado nas cordas

e os lábios

descolados da boca,

para que a palavra saia

sem roupa,

desnuda de dor.

 

ai, flor,

em cada sílaba mordida,

trazes o bandido ardor

na língua

peregrina de sabor.