domingo, 15 de fevereiro de 2026

Transfronteiriço

 





olha para os obstáculos

como portas abertas,

faz das fronteiras

passadeiras de novidade.

 

e vai.

 

lembra-te:

passará a corrente

quando abres os braços

e estendes as mãos.

 

haverá coração,

ponte,

nós de corda,

porta…

passagem,

quando fazes da compaixão

a tua maior lição.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Passos que não esperam




caminhos,

esperas,

regressos,

atrasos.

 

o valioso

tempo

apressa

as quietudes,

a certa hora,

antes

que chegue

a tarde

da nossa história.

 

vai,

foge das desistências,

dos impasses,

e não demores.

 

é preciso acumular

momentos de felicidade,

independente dos trajetos,

das quedas,

dos desafios.

 

só sabemos valorizar

o caminho de volta

se enfrentarmos

o desconhecido.

 

vai,

foge dos atalhos,

corre nas estradas

e usa o coração

como estradão.

 

atrasa-te,

se estiveres contente.

e volta logo

se o céu mudar

a cor dos teus olhos.




 

Caminhar na Direção do Sol

 






o valor da fé

de quem caminha a pé,

e traz consigo, atrás,

a prova do amor divino.

 

esse amor

capaz de regar

uma flor

com um mar de lágrimas,

e ressuscitá-la,

fazendo-a a mais bela

aos nossos olhos.

 

independentemente das adversidades,

continuaremos

a caminhar na direção

do sol que acalma o rebanho,

e que nos faz sopro

de um Deus mais humano.

 

chegaremos

com os pés feridos

e o coração curado.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

A cada cascalho colhemos sabedoria nos passos

 




 

existem pedras

que nos ensinam

mais que as letras,

como as pedras no caminho.

 

existem, também, as palavras arremessadas,

que doem mais que qualquer pedrada.

 

mas, quando juntamos

os vocábulos e os obstáculos rochosos,

construímos pontes e saídas,

letreiros de pedra

para o coração.












quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Um dos melhores livros para ler em 2026

 

“Tributo a Luiz Vaz de Camões

Um livro que levou anos a ser costurado, alinhavado e aperfeiçoado pela mestria de um dos maiores escritores do nosso tempo, o estimado Fernando J. M. Saiote. Não é coisa pequena: foram dezasseis anos de pesquisa, escuta e paciência, enraizando as palavras mais belas de um mar antigo, palavras para trazer à tona, verso a verso, de uma memória coletiva de um povo.




“Tributo a Luiz Vaz de Camões, de Fernando Saiote, reinterpreta Os Lusíadas com acrósticos poéticos inovadores, celebrando os 500 anos do poeta. Após 16 anos de pesquisa, o autor conecta literatura, história e identidade lusófona, homenageando Camões e explorando a fundação de Portugal.

Tributo a Luiz Vaz de Camões, de Fernando Saiote, é um ousado projeto literário que reinterpreta a epopeia Os Lusíadas por meio de uma abordagem inovadora.

Após dezasseis anos de pesquisa e escrita, Saiote transforma cada um dos 8816 versos da obra em acrósticos poéticos, organizados em sextilhas com rima alternada (ABCABC), sem pontuação excessiva, criando uma camada de significado para os versos de Camões.

 

O primeiro volume, dedicado ao Canto I, não apenas homenageia o Poeta Maior, mas também oferece uma rica contribuição à História de Portugal, remontando à fundação da nação, desde os Condados até à Dinastia de Bragança.

Com base em textos históricos como Monarchia Lusytana de Frei Bernardo de Brito, o autor explora a mitologia lusitana e os reis lendários, como Túbal e Abidis, num diálogo profundo entre literatura e história.

Esta obra monumental celebra os 500 anos do nascimento de Camões, oferecendo uma leitura inovadora e reverente da sua obra-prima, Os Lusíadas, e uma reflexão sobre a identidade e a cultura lusófona.

Razões pelas quais deve comprar este livro:

Recriação dos 8816 versos de Os Lusíadas em acrósticos organizados em sextilhas;

Abordagem inovadora e reverente à obra-prima de Camões;

Diálogo profundo entre literatura e história;

Celebração da identidade e cultura lusófona.

Saiba mais sobre o livro Tributo a Luiz Vaz de Camões, de Fernando Saiote “

 Fonte : https://oficinadaescrita.com/produto/tributo-a-luiz-vaz-de-camoes/







terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Reservatório desmantelado de afetos

 





não troco o tronco por outro,

ele protege dos tombos,

segura raízes e folhas,

a cabeça e as fraquezas,

dos ventos e dos sopros.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Arte de amar

 





A tristeza do céu

apagará

os rastos

das nossas caminhadas.

 

E no mesmo lugar,

outros casais

farão pincéis

dos seus pés

sobre

a tela da areia.

 

Uma nova arte

de amar…









domingo, 1 de fevereiro de 2026

O desabafo após o penúltimo fôlego

 





logo ali,

desistimos,

menos o destino…

 

um dia, sem sabermos,

segurámo-nos

a um fio de sol,

para beijar

as águas

com os pés

descalços.

 

dois atores secundários,

tentando ser principais

naquele cenário…

 

e, por menos de um fio de azar,

embatemos

de frente com

a ternura latente

de sempre…

 

por instantes,

reavemos

a esperança

de amar.

nossos olhos

replicaram o mesmo brilho

naquele cruzar de anseios e vontades.

 

contudo,

adiámos

mais uma vez

a coragem dos dizeres,

tapando a boca do coração

com as mãos da timidez.

 

hoje,

no mesmo areal,

vejo-me ator principal,

com a mudez da alma,

sem o brilho do olhar,

com a sensação

de ter deixado

muito tempo,

o tempo sozinho

e desamparado…

 

o tempo dos sonhos,

o tempo certo

para lutarmos,

para desnublar

os passos…

na única direção luminosa:

a nossa.