sábado, 23 de maio de 2026

No quintal do vento


 





Como loucos,

insistimos

em semear flores

na areia da praia,

sem sermos marinheiros

nem amantes das vagas.

 

Depressa

fizemos da chuva

as nossas lágrimas,

por ver as sementes

brotarem desamores

e rochas bravas.

 

Como diria o velho pescador:

quem manda no areal

é um casal

com nome de mar e de vento;

só eles podem

jardinar o seu quintal.

 

Esta tarde,

por acaso,

voltei àquele lugar.

Estranhamente,

vi dois jovens

querendo voar,

agarrados a um beijo.

Acho que vão ser tão loucos

como nós fomos.

 

Ainda recordo

quando pendurámos

aquele abraço

para nos salvarmos

da delicadeza

do inverno.

 

Tínhamos o peito quente,

forrado de amor,

e todo um mar parado.





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