Como loucos,
insistimos
em semear flores
na areia da praia,
sem sermos marinheiros
nem amantes das vagas.
Depressa
fizemos da chuva
as nossas lágrimas,
por ver as sementes
brotarem desamores
e rochas bravas.
Como diria o velho pescador:
quem manda no areal
é um casal
com nome de mar e de vento;
só eles podem
jardinar o seu quintal.
Esta tarde,
por acaso,
voltei àquele lugar.
Estranhamente,
vi dois jovens
querendo voar,
agarrados a um beijo.
Acho que vão ser tão loucos
como nós fomos.
Ainda recordo
quando pendurámos
aquele abraço
para nos salvarmos
da delicadeza
do inverno.
Tínhamos o peito quente,
forrado de amor,
e todo um mar parado.



Nenhum comentário:
Postar um comentário